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ISOLAMENTOVSCONDICIONAMENTO

Isolamento Acústico vs Condicionamento Acústico

07/06/2017 | | Posts Publicados: 5

Um arquiteto quando define um espaço fechado, quer sejam as soluções construtivas a adotar quer seja a volumetria, planta, acabamentos e disposição de equipamentos, está a determinar decididamente a acústica do mesmo. É no projeto de arquitetura que se devem refletir as medidas construtivas para garantir o isolamento acústico necessário bem como as medidas de condicionamento acústico que garantam a conformidade do espaço à função, que vão da volumetria adequada à orientação das superfícies, bem como as características dos revestimentos utilizados.

Deste modo, urge distinguir o isolamento acústico do condicionamento acústico, dois aspectos distintos de um projeto acústico e que muito habitualmente são confundidos.

De um modo simplificado, pode-se afirmar que o condicionamento acústico poderá ter como objetivo melhorar as qualidades de audição de estímulos sonoros que são produzidos no interior de determinado espaço e/ou reduzir o nível sonoro num local ruidoso, tendo sobretudo em atenção a correta distribuição do som, reduzir para valores aceitáveis os níveis de ruído marginais que tendam a mascarar o som útil, ajustar a reverberação do local ao uso previsto e evitar a existência de ecos, sombras sonoras e concentrações de sons.

Fundamentalmente, as qualidades acústicas de uma sala dependerão essencialmente da sua forma e correta difusão do som, do volume e da natureza das superfícies, isto é, se estas são refletoras, absorventes e/ou difusoras e se são planas ou tem protuberâncias.

Vários indicadores podem caracterizar um campo sonoro, sendo o mais comum o Tempo de Reverberação, que é uma medida do tempo que um som leva a extinguir-se após a cessação da fonte que lhe deu origem.

O isolamento sonoro, vulgarmente confundido com condicionamento, pressupõe a existência de dois espaços, um onde se produzem estímulos sonoros (local emissor) e outro onde se pretende que esses estímulos apresentem um nível tão baixo quanto possível (local receptor).

O isolamento sonoro é uma medida da perda de transmissão sonora proporcionada por um determinado elemento construtivo. Esta transmissão sonora pode  dar-se por via aérea (a fonte sonora excita diretamente o ar, as sonoras incidentes excitam o elemento construtivo e este, por sua vez, excita o ar no espaço adjacente) ou por via estrutural (solicitação mecânica direta da fonte de irradiação sobre os elementos de construção, que devido à rigidez das ligações entre os diversos elementos confinantes, conduzem a vibração aos espaços adjacentes e estabelecem campos sonoros neles  – exemplos: queda de objetos ou o bater dos saltos-altos no pavimento que são perceptíveis no andar de baixo). Distingue-se, portanto, dois tipos de isolamento, no primeiro caso chama-se isolamento a sons aéreos e no segundo isolamento a sons de percussão.

Assim, isolar consiste em evitar a propagação da energia acústica entre distintos locais, atuando no caminho de transmissão. De uma forma simples, quanto mais denso for o elemento divisório (parede, teto ou pavimento) maior será o isolamento a sons aéreos. Por outro lado, para se incrementar o isolamento a sons de percussão, as faces do elemento divisório não deverão ter ligações rígidas entre elas nem com os restantes elementos confinantes da sala emissora e da sala receptora e a superfície percutida deverá ser revestida por um material que amorteça os impactos (por exemplo, uma alcatifa, pavimento flutuante ou um pavimento vinílico heterogêneo).

De uma forma geral, um material poderá ser um bom isolante a sons aéreos mas poderá ser um mau isolante a sons de percussão (e.g., uma laje de betão armado). Por isso, um bom isolamento acústico é obtido tendo cuidado com as soluções construtivas preconizadas em projetos de arquitetura e com pormenores da respectiva implementação em obra. Erros no dimensionamento das soluções construtivas e na incorreta aplicação dos materiais poderão pôr em causa a utilização dos espaços e a sua correção, a tão famigerada “correção acústica”, poderá ser bastante difícil e onerosa.

As exigências relativas às condições acústicas nos edifícios encontram-se definidas no Decreto-Lei n.º 96/2008 que aprova o novo Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios (novo RRAE), impondo limites ao tempo de reverberação (condicionamento acústico) e aos índices de isolamento acústico em edifícios habitacionais, mistos, unidades hoteleiras, edifícios comerciais e de serviços, e partes similares em edifícios industriais, edifícios escolares e de investigação, edifícios hospitalares, recintos desportivos, estações de transporte de passageiros e auditórios.

 

Autor: Eng. Ricardo Patraquim